Quem somos?

O tema dos ciclos de debates serão os pontos de intersecção, de diálogo, entre o movimento anarquista e o teatro. Investigaremos tanto como o movimento anarquista influenciou e ainda influencia algumas práticas teatrais, como quanto o teatro permite aproximar a corrente política em ações de cunho sociais e culturais. Além disso, visamos inventariar as características anarquistas do ato teatral em sua particularidade política. Ao nosso ver, são muitos os aspectos que unem teatro e anarquismo. 

A pesquisa está em andamento desde abril de 2020. Iniciamos o levantamento e a discussão bibliográfica com o intuito de aprofundar determinadas discussões anarquistas que poderiam agregar ao Teatro novas pedagogias e manifestações. Tensionar a pertinência do debate para a pedagogia das artes, é, agora, nosso objetivo, com a transformação da pesquisa - informal - à projeto de pesquisa - devidamente registrado e vinculado ao grupo Pedagogias das Artes Cênicas - PPGT - UDESC.

A partir da obra do político e historiador canadense George Woodcock (1921 - 1995), é possível traçar uma comparação entre o anarquismo e o teatro. Segundo ele, o anarquismo não é permanente, se modifica a cada situação, não se estabelece a partir de organizações e fórmulas pré estabelecidas, mas assim como a vida, se movimenta e cria fluxos a partir de demandas. Acreditamos que determinadas investigações do teatro e da dança contemporânea podem se assemelhar com a corrente do pensamento anarquista, - especialmente com aquelas manifestações artísticas que se fundamentam no “aqui e agora” e na escuta do que acontece em cena e na plateia - práticas políticas, performáticas, conectadas com o mundo e que questionam seu próprio lugar na arte:

"Na verdade, o anarquismo é a um só tempo diversificado e inconstante e, à perspectiva histórica, apresenta a aparência, não de um curso d'água cada vez mais forte, correndo em direção ao mar do seu destino (uma imagem que bem poderia ser aplicada ao marxismo), mas de um fio de água filtrando-se através do solo poroso - formando aqui uma corrente subterrânea, ali um poço turbulento, escorrendo pelas fendas, desaparecendo de vista para surgir onde as rachaduras da estrutura social possam lhe oferecer uma oportunidade de fluir. Como doutrina, muda constantemente, como movimento, cresce e se desintegra, em permanente flutuação, mas jamais se acaba." (WOODCOCK, 2007, p. 17)

Assim como as ideias anarquistas, o teatro a que nos referimos também é uma maneira de quebrar padrões e de subverter normas de conduta. O teatro pode fazer surgir uma brecha em uma represa de censuras, de certezas e de organizações, perturbando então o poder estabelecido. Em comparação com a perspectiva histórica do autor, o teatro do drama burguês, com objetivos e produtos finais, poderia se equiparar ao curso d’água forte, que viaja direto ao mar, em uma linha reta. Já o teatro contemporâneo, performático ou de pesquisa/experimentação, pode ser entendido como os vários fluxos de água que surgem de acordo com o contexto emergente, segundo Woodcock (2007). Um teatro variável em que a jornada e o próprio acontecimento são mais importantes do que o produto final, a mensagem ou o texto.

O projeto apresentado conta com levantamento bibliográfico já discutido e que fora pensado em concordância com os futuros ciclos - que levantaremos detalhadamente no cronograma abaixo. Pretendemos renovar nossos objetivos, geral e específicos, semestralmente, bem como a metodologia dos encontros, que respeitarão as demandas coletivas das(dos) futuras(os) integrantes da pesquisa.



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